domingo, 10 de maio de 2009
Andarilho não a passeio
terça-feira, 20 de maio de 2008
Fé: uma força sintrópica
As conquistas materiais abundantes desta era, a muita quantidade de oportunidades para o prazer, as batalhas sem fim por dinheiro, poder e fama — nada disso revelou-se capaz de proporcionar alguma satisfação permanente, ou um ideal de vida. As ideologias caíram por terra, dando lugar, em definitivo, a crises institucionalizadas de valores, cristalizadas e banalizantes. As filosofias tentam em vão fornecer respostas, mas a sensação geral é de que a vida vai ficando, paulatinamente, mais furada que queijo suíço. As tecnologias prometeram mais tempo livre, de qualidade, mas omitiram a parte do stress, do spam, do desemprego e do insano workaholism. Tudo que paira sobre nós é esta espiral de questões abertas num cenário absurdamente caótico, subjetivo, imprevisível e sem coesão.
O problema evidentemente não é o progresso, mas a falta de uma força que o subordine aos interesses mais elevados do homem, conferindo ordem, beleza, propósito e plena expressão às suas ações e conquistas, preenchendo os buracos do queijo de cada um, em cada lugar e em todos os aspectos da vida. Essa força, para o cristão, só pode ser o evangelho. Só pode vir de um lugar: a cruz de Cristo. Só pode agir de uma forma: pelo amor que o Senhor derramou nos corações dos crentes. Quando Ele disse: “Vós sois o sal da terra”, referiu-se ao poder transformador do seu evangelho sobre a sociedade, uma influência moral, cultural e espiritual que dá sabor à vida, como o sal à carne. O cristianismo, então, é uma fé missionária e sintrópica. Missionária porque visa a encher toda a terra do conhecimento de Cristo, destronando os bezerros de ouro e o ouro dos bezerros. Sintrópica porque se opõe à desordem, ao mal, à dor, à inimizade, à injustiça e ao engano, colando os cacos e preenchendo os furos. O resultado disso é a perfeita paz com Deus, com o próximo e com nós mesmos — uma paz de valor inestimável e efeito duradouro: a alegria e sensação inefável de que tudo vai ficando, surpreendentemente, em seu devido lugar.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Muito além dos astros passar
“Os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, não há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até os confins do mundo.”
(Salmo 19.1-4)
Talvez o maior vislumbre que possamos ter de nosso Senhor e de sua glória futura seja o firmamento, que se descortina aos nossos olhos todos os dias e cuja beleza nunca é banal. O lindo céu proclama a glória, o conhecimento, a sabedoria e a bondade de Deus, diz o salmista. Que deus seria comparável ao nosso? É inaudita a sinfonia silenciosa que o universo oferece ao Criador.
Essa revelação poética de Deus nos enche de esperança, a esperança de dias melhores, pois tanta formosura e esplendor que contemplamos é certamente uma pequena amostra daquilo que ele nos reservou. Tal esperança nos purifica e nos faz ansiar pelo dia em que estaremos face a face com ele. Então todo apego às coisas daqui perde o sentido, e nossa alma só quer estar perto dele, assim como a corsa suspira pelas águas.
O encontro definitivo com Deus é o maior anseio e a maior glória do cristão; nada pode ser mais importante do que preparar-se para a eternidade. Graças ao que Cristo nos proporcionou no Calvário, temos certeza de que um dia iremos, como disse o poeta, muito além dos astros passar.
Imagem: © tripcart.typepad.com
domingo, 17 de fevereiro de 2008
O tom do nosso canto
O bom ânimo necessário é a marca do verdadeiro cristão, pois só aos eleitos é dado compreender, ainda que fracamente, o propósito dessas provas, e perseverar nelas. Certamente é preciso fé e paciência: o tempo é de Deus, e tudo se encaixa sinfonicamente em sua visão, a qual gera a forma e o tom, as notas e o andamento da nossa melodia particular, nosso breve canto.
Imagem: © jrcompton.com
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Vestígios do dia
1. Deus preferiu velhos a jovens para recomeçar. O idoso Noé passara os seus últimos cem anos construindo a arca e pregando às pessoas que, no entanto, queriam comer e beber, enfim, viver a vida intensamente. Porém Deus desprezou o vigor daquela geração, escolhendo a fé, a integridade e a obediência de um patriarca, ainda que (por nós) considerado muito velho para encabeçar a recolonização da terra.
2. Deus fez justiça quando tudo parecia perdido e manifestou juízo quando tudo parecia tranqüilo. A beleza e esplendor daquele mundo ensejava a ilusão de que Deus estava longe demais para combater toda aquela imoralidade violenta. A pregação de Noé foi o libelo da justiça, do acerto de contas iminente, abertamente rejeitado. Então Deus fechou a porta, pondo fim à impunidade e selando o destino de todos — o que é advertência e conforto para nós.
3. Poupando um remanescente, Deus trouxe-nos esperança. Quando a chuva interrompeu a alegria da última festa e as águas diluíram o vinho da derradeira garrafa, as pessoas se deram conta do fim, mas já era tarde, pois a arca flutuava. O juízo divino engolfava homens e animais, destruindo suas vidas perdidas. Dentro da arca, Noé e os seus eram tudo com que Deus contaria a partir dali. Poupados pela graça divina, enfrentariam o dilúvio e uma terra desfigurada, agora hostil. Noé compreendeu o chamado, pelo que ao sair da arca ofertou a Deus um holocausto. E o mais belo arco-íris rasgou o céu. Noé olhou e sorriu: quem anda com Deus pode aguardar melhores dias.