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domingo, 17 de fevereiro de 2008

O tom do nosso canto


O agir divino é hermético, fechado, secreto, um verdadeiro enigma. Não há teologia que o decifre, doutrina que o disseque, filosofia que o analise. Quando pensamos que o vento está soprando para o Norte, ele já foi para o Sul. Com sua força impenetrável, nos compele a lugares insólitos, vales profundos, rios caudalosos, montes elevados. A vontade de Deus é o mistério fundamental da vida a partir do qual se organiza a hístória de cada um.

Para quais rincões Deus nos levará? A quantas paragens Ele nos conduzirá? E até quando permitirá que peregrinemos nesta terra morta, nós, seu povo caminheiro, como artistas mambembes de um espetáculo de dor e de glória, vasos de barro contendo o que de mais excelente já se viu? Não lhe ocorre que quase morremos neste mar encapelado, circundados por essas ondas que tantas vezes arremeteram contra o barco que, no entanto, recebeu a promessa de nunca afundar?

O bom ânimo necessário é a marca do verdadeiro cristão, pois só aos eleitos é dado compreender, ainda que fracamente, o propósito dessas provas, e perseverar nelas. Certamente é preciso fé e paciência: o tempo é de Deus, e tudo se encaixa sinfonicamente em sua visão, a qual gera a forma e o tom, as notas e o andamento da nossa melodia particular, nosso breve canto.

Imagem: © jrcompton.com

2 comentários:

Marden disse...

Sua composição foi sabia e precisa, quanto ao mistério que nos cerca, uni e estimula, o homem e o seu Deus. A inesgotabilidade do mistério. Mas, acessível e tangível a todos.
Já a idéia de eleição não é legítimo. Deus elegeu a humanidade, independente de seu credo religioso; orientação sexual; visão política e/ou cultural, daí a catolicidade da mensagem de Cristo - não há gregos ou judes. Ainda que tenhamos posições e opniões distintas (babel) e na convergência dos distintos (pentecostes) que somos irmãos. Unir é divino, sem impor igualismos temporais, ideologicos religiosos, relativos e subjetivos. Concepção meramente humana que divide, destingue, separa (diabólico).

Sullivan disse...

Obrigado pelo comentário, sempre muito apreciado. Quanto à sua divergência do conceito de eleição, admito que é uma noção espinhosa, dura e discriminatória: separa as ovelhas dos bodes. Mas isso faz parte do evangelho: o fato de que muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Insisto que não se trata de uma distinção entre católicos/protestantes, mas um critério mais profundo e essencial. Cristão é o que reconhece as reivindicações de Cristo, e se reconhece em Cristo. E o Pastor conhece suas ovelhas…
Um abraço!